.7 de setembro de 2017

“Com você não tá compensando mais não”



Agosto não foi para mim o mês que dura 3 anos, 8 meses e 31 dias. Agosto foi o mês em que eu tive de acordar todos os dias e lidar com o incerto – até mesmo no dia em que tudo aconteceu. Tudo talvez seja uma palavra densa demais para algo tão comum nos dias líquidos: um alguém que se cansou e foi embora. 


Caio F. falava sempre sobre agostos. “Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé”. Já fui infiel ao poeta na primeira linha: não gosto de processos e muito menos sou de acreditar demais. Outro moço, Carpinejar, fala que primeiro brigamos e separamos para depois conversar; e nem a conversa teve.  

Tudo aconteceu numa noite de sexta-feira. Eu deitado em casa jogando Assassins Creed, intrigado pelo chá de gelo que eu tomei. Pego meu celular e tento por ali mesmo resolver a angústia da noite. Algumas mensagens depois e tudo tinha acabado. Os planos de sermos os melhores um para o outro. As longas conversas sobre a lua. Os planos de livros que um achava que o outro deveria ler. Perdão Leonard Peacock, as coisas não deveriam terminar assim. 

Quando alguém faz as malas e você observa a partida, a sensação que passa é que o seu circo serviu apenas para apresentações e formas de se manter. Quando uma partida não é discutida, quando as coisas não ficam claras, você perde noites se achando um embuste. Ou talvez a outra pessoa seja o embuste. Talvez Somos Todos Inocentes, como para Lucius através de Zibia Gasparetto. O que mais incomoda quando alguém vai embora do seu picadeiro é que aquela atração fará falta na sua programação, e as crianças doces virão perguntando pelo número, e numa tentativa de esconder a dor e parecer bem resolvido com a situação, você dirá: a gente não se fala mais. 

Agosto me deu novas oportunidades de me reinventar. Mesmo após a partida. Terça mesmo, meu professor me perguntou o que andava acontecendo, pois eu estava muito acanhado. Eu sorri e disse que era maturidade. Ele ficou desconfiado e meneou: se é assim, tudo bem. Perder é ter que amadurecer ou chorar a vida inteira o membro que falta.

Ontem fui em uma social com um amigo meu, o João. Cheguei em casa as 3 depois de ter tomado 11, quando prometi tomar 3 e voltar as 11. Deitei na cama e sonhei a noite inteira com uma festa em que você voltava e me abraçava, e a gente se desculpava e tudo ficava bem. 

Acordei assustado 11 da manhã. Se você voltasse eu te abraçaria e diria que ainda te amo, por que é isso que eu posso oferecer para as pessoas que estão comigo. Mas me educarei a lhe ver pelos próximos 10 meses pelos corredores e elevadores e fingir uma indiferença, mesmo porquê no final estamos todos sozinhos.







10 comentários:

  1. Que texto! Confesso que quando li o título me senti meio perdida. Mas ao ler entendi o ponto de vista. Logo no início do texto me vi nele pois agosto tbm não é um mês que foi feito para mim. Odeio Agosto! A sensação de ver alguém partir é essa mesmo. Adorei o texto bjsss

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  2. Perder uma pessoa não e nada facil, é uma ferida que fica, uma dor enorme é uma ansiedade para ver aquela pessoa voltar mas você sabe que ela não voltará , adorei o post muito emocionante ❤

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  3. Ahh!!! Que lindo texto. Na verdade eu amei o texto, eu me vi muitas vezes dentro do texto. E acho que é isso que qualquer escritor quer que aconteça que possamos nos ver nas palavras que são escritas. Parabéns!!!!

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    1. É muito bom ver que as pessoas identificam-se. Dá aquela sensação boa de levar um pouquinho de conforto para alguém no mundo. <3

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  4. Mulher que post diferente! Eu amo agosto por vários motivos. Me faz bem , por ser um mês de calor e férias tenho minha família que tanto amo ao pé de mim. Mas ao mesmo tempo vivo um misto de emoções por conviver com família né, problemas desentendimentos mas no geral adoro!

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    1. Esse misto de coisas é o que eu mais amo na vida. Logo depois de escrever esse texto me olhei no espelho e vi que eu estava detestando minha imagem (ela me entediava). Imaginei um super ego meu, corri na farmácia e furei as duas orelhas agora estou num amor comigo mesmo. A gente tem que permitir que sejamos tudo o tempo todo, para encontrar a felicidade em algum desses caminhos.

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  5. Agosto foi diferente em todos os aspectos, eu que estava apegada e acostumada a uma situação consegui me desprender, foi libertador e eu senti que já podia me reinventar. Agosto foi diferente e setembro apenas começou, seu texto está impecável ❤ beijos!

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    1. Agosto foi um mês de rupturas. Vejamos o que Setembro trará e faremos o melhor dele.

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